Amor Fati

Cinema, literatura, filosofia y otras cositas más...

quinta-feira, outubro 27, 2005

Verecundia

Estou pensando em redigir um dicionário.
Dizem que o Aurélio está para lá de ultrapassado
e o Houaiss ainda não fez seu nome na praça.
Talvez eu tenha alguma chance no ramo.
Uma das minha definições (essa de própria autoria),
é a palavra "vergonha".

Vergonha
s.f. (leia-se substantivo feminino)
Medo do que os outros irão pensar.

Esse é o único significado plausível para o vocábulo.
Único e exclusivo.


Ninguém sente vergonha quando está só.
Não há como envergonhar-se de si mesmo.
Sentimos vergonha da imagem que outros podem fazer de nós mesmos,
não da que nós mesmos já temos.
Existe quem diga ser fã da música da moda,
mas no fundo goste mesmo de um Peppino DiCapri, de um Wando e de um Fagner.
Tem quem jure adorar comer lagosta,
mas no fundo não troca uma boa rabada por nada nesse mundo.
Não falta ainda quem jure ser viajado, escolado e letrado.
Mas que na verdade apenas repete o que foi ouvido -
por gente que de fato viajou, estudou e leu.
Há também aqueles que não entendem uma palavra do que estamos dizendo,
mas agem como eruditas no assunto.

E os piores,
aqueles que não tem sequer uma opinião formada a respeito das coisas,
e, portanto, vivem concordando com a gente.
Aposto que essas pessoas teriam vergonha em admitir...
Pois eu, no lugar delas, também.

terça-feira, outubro 18, 2005

Oxalá

Já é meia-noite.
Passada a erisipila segunda-feira,
declaro aos navegantes que desisti de fazer dieta.
Pretendo me tornar uma musa renascentista,
ou algo que o valha.
Por que tudo na vida deve advir de sacrifícios?
O que não é suficientemente sofrido não tem valor.
Pensava eu se tratar de alguma herança canônica.
Algo vindo de nossos antepassados eclesiásticos.
Que nada.
Mesmo no oriente a situação não é muito diferente.
Islâmicos explodem-se - literalmente -
em prol de um mundo melhor do lado de lá.
Essa vida é de sofrimento.
O paraíso sim, serve para o desfrute.
O sábio budismo condena todo e qualquer conforto.
A iluminação está na sabedoria fruto de dificuldades.
O hinduísmo prega a salvação da alma através do sofrimento corporal.
Pois pretendo tornar-me uma agnóstica feliz.
Acredito na felicidade que uma barra de chocolate pode trazer ao indivíduo.
No prazer proporcionado por um dia de dolce far niente.
E no bem advindo de uma boa gargalhada.
Pois minhas promessas serão recompensadas de uma forma bem diferente.
Se meus pedidos forem atendidos,
prometo ser muito, muito feliz.
Oxalá.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Eros

Tal como predizia a profecia,
dirigi-me à apresentação pública do cinematógrafo,
no intuito de acompanhar visualmente "A Bela do Palco".
Deveras instigante.
Tivesse eu um grau de lascívia mais exacerbado.
Sair-me-ia do cinema transtornada.
Emulsão fotossensível desconsertante para organismos mais frágeis.
Aos portadores de coronárias fracas e outras patologias cardíacas
recomenda-se evitá-lo veementemente.
Demasiado perigador.

Ser Genial

Na próxima encarnação, se possível,
quero nascer genial.
Confesso que acho justo.
Geniosa numa, genial na outra.
Quero ser alguém tipo Simone de Beauvoir,
ou então um pouco menos radical,
como Dorothy Parker.
Prometo não me suicidar como Virginia Wolf.

Tampouco ninguém terá medo de mim.
Não será preciso que façam filmes de minha vida,
como fizeram de Sylvia Plath e Iris Murdoch.
Serei feliz sendo Coco Chanel ou Vivienne Westwood.
Ou então Cleópatra - ou até mesmo Elizabeth.
Posso nascer propietária de uma voz belíssima -
como a de Aretha Franklin -
ou então deliciosamente insana como Billy Hollyday.

Quanto plágio.

Pensando bem,
quero nascer completamente inovadora.
Orginal. Eu mesma.
Mas, acima de tudo, genial.

quarta-feira, outubro 05, 2005

WANNA C

Vasculhando sítio internéticos, deparei-me com filmes que relamente desejo assitir:

* Virgem de 40 Anos - Comédia: para demosntrar que nem só de dramas europeus vive a minha pessoa.
A idéia é deveras inusitada e o ator principal ainda leva o crédito de ser o roteirista.
A pressa não se dá em face de Hollywood ter um canal direto com locadoras de vídeo,
mas consta na lista...

* Nem Tudo É O Que Parece - Suspense Policial: dizem que Guy Pierce não pode dirigir o filme por estar envolvido em projetos outros.
A trama (aparentemente) lembra (e muito) seus (grandes) sucessos anteriores.
A crítica elogiou e dizem que o diretor efetivo, Matthew Vaughn, não fez feio.

* A Menina Santa - Drama: cinema argentino.
Almodóvar assinou e baixo.
Walter Salles elogiou.
Poliposotion.

* Coisa Mais Linda - Histórias e Casos da Bossa Nova - Documentário:
Nascimento da bossa nova nos anos 50.
Desnecessário qualquer outro comentário.

* Entre Casais - Drama: drama cômico, melhor dizendo.
Curiosamente, o filme inteiro foi improvisado.
O objetivo é mostrar a (re)união das Alemanhas
e o choque cultural daí advindo.
Com tudo aquilo a que tem direito.

* A Bela do Palco - Drama: ou melhor, comédia rômantica de costumes.
M. Butterfly encontra Sheakpeare com Ruper Everett comandando o coreto.
Por desconhecida razão,
estabelece-se uma proibição de qualquer mulher aparecer em um palco teatral.
Alternado o trono, o novo rei se deixa convencer e inverte a proibição,
tornando ilegal um homem representar papéis de mulher.
Me pergunto que parte exata se caracteriza como drama.
A comédia é evidente.
Minha ida ao cinema, também.

terça-feira, outubro 04, 2005

Kindengarten

Estranho como algumas coisas mudam de enfoque quando crescemos.
Tudo tem um ar mais soberbo,
mais sério,
com cara de coisa grave.
Quando crianças,
doença era catapora, sarampo, caxumba.

Doença de adulto tem nome científico.
Quando criança, tudo é mais simples.
Joãzinho é uma peste;
Mariazinha é uma chata;
Pedrinho é burro;
Luizinho, manhoso;
Aninha maluca
e Zezinho é comilão.
Já adultos, os rótulos são outros:
Agora Joãzinho é hiperativo;
Mariazinha é neurótica;
Pedrinho tem déficit de atenção;
Luizinho é depressivo;
Aninha sofre de transtorno bipolar
e Zezinho de compulsão alimentar.
Pois eu sigo rodeada de gente chata, burra e maluca.
E não lido com crianças...
 
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